Como se fosse a ultima vez
Meu nome é Brenda, e o que eu passei acredito que ninguém mais suportaria.
No ano de 1936, aos meus 18 anos de idade, me matriculei em uma faculdade em Buenos Aires.
Já no primeiro dia, não pude deixar de notar a presença de um rapaz que talvez fosse o mais bonito e elegante que eu já havia visto. Ele parecia pertencer a uma das famílias mais ricas da cidade, o que seria comum pois ali uma grande maioria pertencia a famílias com boas condições financeiras. Esse também era o meu caso, e pode acreditar, eu não tenho motivos para me orgulhar disso.
Enfim, os dias foram passando, mas eu ainda não tinha tido coragem de falar com ele. Num certo dia nos foi proposto um trabalho em dupla em que os nomes seriam sortiados pelo professor, e como que por ironia do destino o meu nome saiu junto ao dele. Me lembro até hoje o estado que fiquei quando ouvi o professor dizer: “E a próxima dupla é: Brenda e Pedro.”Eu fiquei eufórica e com certeza muito vermelha. Naquele momento não tive mais dúvidas, eu estava amando!.Ao fim daquele dia Pedro veio combinar quando e onde faríamos nosso trabalho.Ficou tudo combinado. Faríamos no dia seguinte em minha casa.
Era sábado e as duas da tarde lá estava ele lindo como sempre.
Começamos e ele disse que achou minha casa linda, então perguntei onde ele morava.
Foi quase irresistível ver aquela cara de anjo tímido. Mas ao invez de beija-lo eu apenas perguntei o que tinha acontecido e ele me explicou que era filho de uma empregada e eram os patrões de sua mãe que bancavam seus estudos e lhe davam roupas, já que não tinham filhos.
“-Isso não é motivo para se envergonhar!”
Foi o que eu disse a ele, mas eu estava desapontada pois meus pais não aceitavam que eu namorasse com alguém mais pobre do que eu. Mas não poderia permitir que isso atrapalha-se minhas relações. Teria de conquista-lo.
Os dias passavam e o meu amor só aumentava e ele também dava indícios de que estava apaixonado por mim. Apesar disso eu não esperava que ele fosse me pedir em namoro, mas foi isso que ele fez. E é claro que eu aceitei.Foram dias difíceis, pois meus pais não conseguiam aceitar esse namoro.Então um dia resolvemos fugir, nós abandonamos os estudos e a família para viver esse amor. Fomos embora para outra cidade, alugamos uma casinha e Pedro conseguiu um emprego.
Era tudo tão perfeito e nada poderia estragar, mas um dia aconteceu uma coisa que mudaria nossas vidas para sempre. Pedro descobriu que estava com câncer. Foi um inferno nos primeiros dias.Foi horrível vê-lo definhar e perder os cabelos.
Quando ele descobriu a doença já era tarde e ele não tinha mais cura. Mesmo sofrendo muito tive de ser forte para poder passar segurança a ele.
Todos os dias Pedro me fazia uma pergunta que me doía muito.Ele me perguntava se eu não estava arrependida por ter deixado tudo para ficar com ele!. E eu respondia: -“É claro que não!, se eu pudesse voltar ao passado faria tudo de novo.”
Decidi esquecer o que estava acontecendo e viver cada dia como se fosse o último.
Um ano se passou e o estado de Pedro piorou. Ele já não levantava da cama e o tempo todo chorava por me ver chorar!
No dia 03/06/39, Pedro me chamou e disse as coisas mais lindas que eu já ouvi.
“- Você é a pessoa que eu mais amei em toda a minha vida, a única pessoa que sempre esteve ao meu lado e não me deixou sozinho quando eu mais precisei.
Obrigado por me fazer tão feliz”.
Depois disso ele respirou fundo e sua respiração foi ficando mais fraca.Antes que aquilo se concretizasse eu já comecei a chorar pois sabia, a sua vida terminaria ali, dei-lhe o ultimo beijo e com certeza o mais apaixonado. Ele faleceu e mesmo sofrendo muito, eu não parei com a minha vida, consegui um bom emprego e continuei morando em nossa casinha.
Eu nunca consegui esquece-lo e nem me apaixonar por outro homem.
E se alguém me perguntar se eu me arrependo de minhas escolhas eu continuo dizendo não!.
Agora aos meus 93 anos, sinto que está chegando a hora de me reencontrar com meu eterno amor!
Hanna - 8ªB
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