quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Correr em Campos Molhados
Estou, neste exato momento, deitado no tapete da sala de estar, com a cabeça apoiada no corpo de meu cachorro, Sirius. A chuva cai lá fora, molhando o jardim e fazendo um barulho que me traz uma lembrança muito feliz: eu e meu amigo de infância, Greg, juntamente com Sirius, correndo em um campinho que havia perto das nossas casas, numa tarde chuvosa.
Era tão gostoso sentir a água batendo naturalmente no rosto que ainda tenho a sensação de estar vivenciando aquele momento.
Recordo-me perfeitamente da voz de Greg me chamando. Ele dizia “Venha, Fred. A água está uma delicia e até Sirius está se divertindo!” Nisso, eu corria alegremente até ele, pisando firme no chão, fazendo respingar o barro que se formava entre o gramado.
Sua voz me faz muita falta hoje. Há exatos dois anos, Greg descobriu que possuía uma doença grave, e quase não suportou contar, de tão torturante que essa descoberta se fez. Ele resistiu por quase um ano, à base de tratamentos e todos aqueles nomes que vêm com o sufixo“terapia”.
Eu ia ao hospital todas as tardes após a aula para vê-lo. E ele parecia estar cada vez melhor.
Porém, em uma tarde, quando cheguei ao hospital, a mãe de Greg me contou que o quadro clínico dele havia se agravado, mas que os médicos já o estavam atendendo.
Em torno de uma hora depois, fomos liberados para adentrar quarto e conversar com ele. O fizemos rir de várias coisas, desde piadas sem nenhuma graça até fofocas da escola.
No entanto, durante uma piada contada por ele próprio, sua voz falhou. Quando conseguiu falar novamente, agradeceu a mim e à sua mãe por todos os momentos, todas as bagunças, os passeios, os cuidados e principalmente o amor e carinho que havia recebido por nossa parte. Nisso, ele parou de falar novamente, sua cabeça caiu para trás, seus olhos se fecharam e o monitor cardíaco soou um apito contínuo, no que eu e dona Liesel trocamos rápidos olhares e começamos a chorar inconsoláveis.
Apesar de essa lembrança ser a mais triste da minha vida até hoje, eu sorrio ao pensar nela. Pois o mais importante não foi o que aconteceu fisicamente com ele, e sim todos os momentos que passamos juntos e o fato de que ele estará eternamente em meu coração. Não devo chorar pela sua partida, mas sim devo sorrir por sua participação em minha vida.
Melissa Francisco, 8ª série A



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